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Amor Benévolo e Amor Malévolo

“Compreendendo o amor de Deus do fundo do meu coração, tornei-me uma pessoa que desconhece a solidão.”
                       O Pão N. de C. Dia, p.317

Frequentemente ouvimos dizer que fé é amor. Todavia, existem vários tipos de amor: o benévolo, o malévolo, o amplo, o limitado, etc. É por isso que os praticantes da fé precisam ter uma correta percepção sobre o amor.
Em primeiro lugar, vejamos alguns exemplos de amor benévolo.

 

Temos, naturalmente, o amor familiar, ou seja, entre cônjuges, pais e filhos, e irmãos. Há também o amor entre amigos, parentes, conhecidos e outros tipos de amor comum entre os seres humanos. Por mais que essas espécies de amor se intensifiquem, não há o que criticar. Contudo, o problema é o amor malévolo.


Não é necessário explicar que o amor malévolo é o oposto do benévolo e destrói a harmonia entre o casal, provoca o distanciamento entre pais, filhos e irmãos, e acarreta discórdia entre amigos e parentes. É o que se tem verificado amplamente na sociedade, e sua causa reside ora no amor malévolo, ora no amor escasso.


Acima, fiz uma classificação sumária entre amor benévolo e amor malévolo. Em se tratando de amor, o relacionamento amoroso é o que mais necessita ser comentado. Já me referi a respeito desse assunto em outras oportunidades, mas mesmo em se tratando de relacionamento amoroso, há o benévolo e o malévolo.

 

Naturalmente, o namoro sincero entre os jovens que objetivam o casamento, é o benévolo. Entretanto, há um tipo de relacionamento que tem ocorrido frequentemente na sociedade, levado pelo capricho e pelo impulso momentâneo, um amor intempestivo como uma febre: este é, naturalmente, um amor malévolo. Em suma, devemos considerar amor malévolo aquele que não apresenta nenhum traço de Inteligência Superior ¹.

 

Se o amor atinge um grau extremo, invariavelmente gera situações trágicas. Isto porque, apesar de a pessoa já ter marido ou esposa, acaba dirigindo seu interesse amoroso para outro alvo, o que gera uma situação complicada. Há pessoas que, por se entregarem a um prazer temporário, acabam arruinando sua existência, havendo ainda aquelas que acabam perdendo a vida. Não há nada mais absurdo; por essa razão, digo-lhes para serem extremamente prudentes.


Comentei, acima, sobre o relacionamento amoroso benévolo e malévolo. Agora, o que mais gostaria de falar é sobre a amplitude do amor. O tipo de amor a que me referi anteriormente, isto é, o amor entre os familiares e pelas pessoas que nos rodeiam, é amor shojo ², ou seja, um tipo de amor egocêntrico e bastante comum entre as pessoas em geral. É inerente às pessoas tidas como bondosas, existindo inclusive naquelas que não seguem nenhuma religião.

 

Nestes casos, não tenho nenhuma crítica a fazer. Em se tratando de verdadeiros praticantes da fé, porém, a situação se torna completamente diferente. O amor dos que têm fé é do tipo daijo ³, ou seja, altruísta. Este amor, ampliado ao máximo, é o amor à humanidade, é o amor de âmbito mundial.


Devemos atentar para o fato de que os japoneses, até o fim da Segunda Guerra Mundial, desconheciam o verdadeiro amor daijo. Para eles, a mais elevada forma de amor era o amor à pátria. Como se sabe, oferecer a vida em prol da nação era seu maior propósito. Todavia, por ser um amor shojo e por acreditarem que era algo elevado, o resultado foi a atual e lamentável situação em que o Japão se encontra.


Partindo deste princípio, como o amor a uma etnia ou a uma classe não é verdadeiro, por mais que aqueles que o cultivam progridam por um tempo, seu fracasso é inevitável. Consequentemente, como já lhes disse, mesmo que as pessoas se esforcem com um objetivo limitado, afirmando pertencer a esta ou àquela ideologia, não há possibilidade de obter um grande sucesso.

 

Assim sendo, tratando-se de ideologias, só o cosmopolitismo ⁴ é verdadeiro. Nesse sentido, mesmo no caso da religião, se ela não for de caráter mundial, não se pode dizer que se trata de verdadeira salvação. É por esse motivo que a nossa Igreja teve seu nome completado com o termo “mundial”.


Jornal Eiko nº 74, 18 de outubro de 1950
Vol. 4 pág. 118

 

 

 
¹ Inteligência Superior é aquela manifestada pelas pessoas sábias. Vide Ensinamento “Cinco Inteligências” no volume 3 da colectânea Alicerce do Paraíso.

² Shojo: refere-se àquilo que é micro, preso ao particular em detrimento do todo; é estreito, limitado, restrito, individual, exclusivista e de curto prazo.

³ Daijo: refere-se àquilo que é macro; visa ao todo sem se prender ao particular; é largo, amplo, extenso, coletivo, integral e de longo prazo.
⁴ Cosmopolitismo: Meishu-Sama se referiu ao pensamento filosófico que considera a humanidade uma única nação, não vendo diferença entre os países.

Inteligência emocional. O Ecumênico

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